Uma sociedade cada vez mais BESTIAL

http://www1.folha.uol.com.br/mercado/2016/11/1832829-jornalista-caco-barcellos-e-agredido-durante-protesto-de-servidores-no-rio.shtml

“É isso. O que a gente planta a gente colhe. Não é a toa. Não é a toa. Essa emissora golpista, apoiando ai golpes desde sempre, apoiou o de agora e é isso que recebe em troca né. Vai fazer o que. Culpa dos funcionários, não é? Mano, é a rede dos caras. É a arma que eles tem, E A GENTE TEM A NOSSA. Não acho que é certo nenhum tipo de violência, mas é o que acontece.”

Esse é o relato ao final de um vídeo que mostra Caco Barcellos sendo agredido durante minutos a fio SEM OFERECER QUALQUER RESISTÊNCIA E SE RETIRANDO DO LOCAL. O jornalista estava no protesto em frente a ALERJ entrevistando uma das manifestantes quando as manifestações orais contra o seu empregador passaram à agressão físcia contra a sua pessoa e da sua equipe. Garrafas, caixas e cone de plástico voando em sua direção e socos e pontapés contra ele.

O que se viu é a manifestação da bestialidade humana. Uma verdadeira prova de que estamos em uma sociedade cada vez mais BABACA em que aqueles com quem você não concorda são vistos como inimigos que precisam ser combatidos até mesmo com força física. Dezenas de babacas em volta, que certamente acham que estão fazendo “jornalismo”, acompanham a cena filmando de inicio ao fim. Nenhum deles vê qualquer problema na cena. Vide a fala final do “midia-ativista ninja” ou seja lá como se autodenomina. “É a arma que eles têm, e a gente têm a nossa”. Que arma é essa? A força física contra um veículo de comunicação e seus empregados? Em nada lembra aquilo que dizem tanto criticar? A ditadura militar? A opressão pela polícia? A parcialidade da própria emissora que estão criticando?

Tenho certeza que são esses mesmos “manifestantes”, que agrediram violentamente Caco Barcellos e sua equipe, que depois reclamam da repressão violenta da Polícia Militar. Tamanha hipocrisia.

Nossa democracia não evoluirá sem o debate franco e aberto de ideias. Isso vale tanto para o Brasil de 40 anos atrás quanto para o Brasil de hoje. A agressão física a jornalistas que trabalham para um determinado canal de comunicação é um desserviço a democracia. Um desserviço a liberdade de expressão. Um desserviço ao debate de ideias.

Bonde a 20 reais. Os moradores têm culpa.

Bondinho Santa Teresa

Vamos direto ao ponto. A AMAST, associação de moradores do bairro, e vários dos moradores que “defendem” o bairro têm uma parcela de culpa na proposta absurda e excludente que foi anunciada hoje pelo Governo do Estado em relação ao preço da passagem dos Bondes do bairro (leia aqui).

A proposta é a seguinte. Quem quiser usar o bonde terá que pagar a bagatela de 20 reais. “Moradores” que se cadastrarem ficarão isentos da cobrança. Não há ainda nenhum detalhe de como será feito o cadastro ou em que critérios. Mas o resultado é evidente: A grande maioria dos moradores será prejudicada e uma pequena parcela de moradores será beneficiada de maneira absurda. Há 1 ano me mudei do bairro, mas continuo tendo uma casa por lá e frequento o bairro. Tenho certeza que o processo de cadastramento será tão inconveniente que nunca o farei (e provavelmente nunca faria mesmo morando lá). Logo, serei privado de usar o bonde ou terei que pagar uma tarifa absurda. E tenho certeza que a maior parcela dos moradores não irá se cadastrar. Quem irá se cadastrar é uma pequena parcela do Bairro que terão benefício as custas de contribuintes e as custas da exclusão de outros Cariocas.

UMA VERGONHA.

E porque a AMAST e moradores do bairro tem culpa?

Porque há anos insistem que o Bonde tem que custar 60 centavos (ou menos), sob argumentos vazios, populistas e demagógicos. “Sempre foi assim”. “Tarifa Social”. “Bonde Popular”.

Ao INSISTIR em um preço artificialmente baixo para o Bonde os moradores garantiram que o bonde não tivesse nenhuma autossuficiência financeira, logo, ficando 100% dependente do subsídio do Estado. O estado, por sua vez, diante de uma grave crise financeira resolveu que tem que cortar gastos e aumentar receitas, e inventou essa esdruxula e excludente tarifação para “Moradores “ e ”Não Moradores”.

Há ANOS defendo que o Bonde custe a mesma coisa que uma passagem de ônibus (vejam os links para matérias de 2011 e 2015 no final). Mesmo assim acho que isso não pagaria por completo o sistema (mas para afirmar isso com certeza seria necessário ter acesso aos custos). E toda vez que levei o assunto para debate entre os moradores, ressaltando a necessidade do Bonde se manter financeiramente e não ficar dependendo da boa vontade de um gestor público, fui ignorado ou atacado.  O resultado é esse ai. O pior possível. E tenho certeza que os moradores e a AMAST, que se negaram a debater a sustentabilidade financeira do bonde, vão culpar exclusivamente o Estado e não fazer nenhum esforço de reflexão sobre a oportunidade perdida.

Reforço minha posição. A tarifa para “turistas” e “moradores” é absurda e o Bonde deveria ter o seu preço indexado ao preço de uma passagem de ônibus (e porque não com integração ao BU). Mantendo assim a capacidade dos moradores de utilizar o sistema ao mesmo tempo em que geraria pelo menos uma arrecadação básica (mesmo que não suficiente por completo) para a manutenção e custeio do sistema.

Qual o preço justo do Bonde? (2011)

Um plano para o Bonde (2015)

Crivella Não!

Depois que postei no facebook uma lista de propostas de Freixo,, questionando a capacidade da prefeitura de pagar por aquilo fui questionado a fazer uma lista para o Crivella. O programa de Crivella a meu ver é muito mais genérico e despretensioso que o de Freixo.

Sim, há propostas que aumentam os custos da prefeitura como alocar 250 milhões a mais na saúd , criar 20mil vagas nas creches e 40 mil vagas nas pré-escolas até 2020 e municipalizar 16 UPAs estaduais. Mas os maiores problemas de Crivella a meu ver não são propostas impagáveis, e sim propostas que cheiram a populismo barato que não tem um benefício de longo prazo para a sociedade Carioca.

Conhecemos essas propostas de gestões anteriores. Distribuição de alimentos e material de construção para comunidades carentes, famosos currais eleitorais disputadíssimos. Não entendam mal, segurança alimentar e melhorias nas condições habitacionais são problemas verdadeiros que precisam ser enfrentados. Mas estes programas puramente assistencialistas de curto prazo de distribuição de comida e material de construção não resolvem a causa raiz do problema. E podem até gerar problemas. O crescimento das favelas da cidade é um problema real que ninguém quer enfrentar, e não tenho dúvidas que o governo Crivella não fará nada contra a expansão das mesmas (também duvido que Freixo o fizesse).

Crivella não vem somente com a carga do populismo e demagogia. Vem também com o apoio e enorme influência de uma das igrejas mais conservadoras do país, que doutrina seus seguidores com ideias retrogradas e extremas e explora os mesmos através da sua ignorância e fé. E como está ficando claro nessas últimas semanas, em que Crivella está cancelando uma sabatina após a outra, dialogo com a sociedade dificilmente será uma virtude de sua possível gestão.

Mas e ai onde a gente acaba com isso? A opção à Crivella é Freixo, que tem um programa megalomaníaco com um apanhado de ideias “legais” que parecem ter saído de uma mesa de bar de amigos. Por mais que ele pregue o dialogo e responsabilidade, qualquer um que já tentou criticar de maneira propositiva e fundamentada uma ideia do PSOL em uma roda de amigos sabe que a maior probabilidade é de ser desqualificado e atacado de maneira reativa e agressiva (sem que o mérito da crítica seja considerado na maioria das vezes).

Aposto minhas fichas que Crivella irá ganhar. Não por competência, mérito ou por um projeto de governo melhor. Mas pelo fato de ter como adversário no segundo turno o PSOL de Marcelo Freixo, que se mostrou incapaz de fazer concessões no segundo turno e deixar críticas nacionais de lado a fim de atrair o voto de eleitores mais ao centro (que no primeiro turno votaram e Índio, Osório e até mesmo do Pedro Paulo).

Entre os Marcelos eu já defini meu voto: BRANCO.

Os benefícios do Metrô Linha 4

Eu moro em Laranjeiras e Trabalho no Leblon. Tenho como hábito anotar o tempo que levo de casa para o trabalho e vice versa. Considero sempre o tempo total. Ou seja, porta a porta, inclino do tempo que levo a pé até os modais e o tempo de espera. Ao longo dos últimos 2 anos coletei uma centena de vezes esse tempo.

Abaixo estão esses dados. Por mais que pareçam ser apenas alguns minutinhos na ida e na volta vale a pena fazer o exercício anualizado. Trabalho 11 meses por ano em média 22 dias por mês. Ou seja: 242 dias por ano, vezes o tempo médio que economizo por dia de 17 minutos e 23 segundos. O resultado: mais de 70 horas que deixo de gastar por ano no caminho entre minha casa e meu trabalho. Quase 3 dias INTEIROS ou quase duas semanas de jornada de trabalho. E olha que eu moro relativamente perto do trabalho.

Casa_Trabalho

Trabalho_Casa

E dai?

O resultado desse pequeno levantamento pessoal mostra os benefícios que uma arrumação mais inteligente dos transportes pode ter sobre a vida da população. É preciso integrar melhor os modais de transporte e fazer com que usar um modal mais rápido não seja necessariamente mais caro. Até porque estamos falando nesse caso de tirar as pessoas de ônibus comum e colocar elas dentro de modais segregados que não tem impacto sobre o transito. Ou seja, todos ganham. O passageiro ganha, a cidade ganha, o empresário tem que colocar menos ônibus na rua.

Um sistema de transporte melhor tem um enorme potencial de aumentar a qualidade d e vida das pessoas, a produtividade dos empregados (que podem trabalhar mais ou estarem mais bem dispostos para render mais) e permitir que clientes cheguem aos ofertantes. Mais mobilidade significa mais negócios e mais geração de renda.

O próximo governo municipal tem uma limitação orçamentária relevante. Não poderá fazer os mesmos investimentos que a gestão de Eduardo Paes fez nos últimos 8 anos. Por isso precisa focar em aproveitar melhor a infraestrutura existente. Otimizar o sistema. E talvez o mais importante passo que pode ser dado nos próximos anos (além e terminar a TransBrasil) é promover uma verdadeira integração tarifária de todos os modais e começar a criar passes ilimitados por tempo de uso.

PS: O esquema de operação do metrô, com transbordo na General Osório também deveria ser desfeito. Com a Linha 2 passando a ir até General Osório (em vez de Botafogo) e a Linha 1 indo da Barra até a Uruguai. Nessa mudança estimo que teria mais um ganho de uns 4 minutos por perna (ou mais 32 horas por ano).

E se houvesse uma clausula de barreira?

O sistema politico Brasileiro está longe de ser transparente e eficiente. São quase 40 partidos distintos, e ninguém mais sabe quem defende quais ideias. A quantidade de partidos nanicos é tida como uma das causas do chamado Presidencialismo de Cooptação, onde o apoio de pequenos partidos é comprado com cargos comissionados (vide Petrolão) ou diretamente com dinheiro (vide Mensalão).

Em nível nacional temos hoje 21 bancadas (algumas delas com mais de um partido). Alguém ai sabe de cabeça diferenciar PHS, PROS, SD e PMB um do outro? E poderia expandir a lista muito mais ainda. Não há ideias ou ideais claros que distinguem um partido do outro, mas cada um está preparado para “vender” o seu apoio por um nicho de poder. Isso sem falar no fundo partidário que recebem de acordo com o tamanho da bancada. Dinheiro de impostos que financia estes partidos, com uma falta de transparência total.

Outros países adotam clausulas de barreira. Por exemplo, na Alemanha um partido precisa ter ao menos 5% dos votos para poder ter representantes no congresso nacional. Algumas cidades e estados também têm clausulas locais. Estas geralmente são menores para permitir que partidos locais consigam se estabelecer e difundir as suas ideias. Como lá também há o sistema parlamentarista, e não presidencialista como aqui, o chefe do executivo é eleito indiretamente pela bancada eleita das casas legislativas (mas vamos deixar isso de lado por enquanto).

Como exercício de criatividade resolvi analisar como seria a bancada eleita, por partidos, da Câmara dos Vereadores se houvesse uma clausula de barreira de 3%, 4% e 5%. A bancada eleita em 2016 tem nada menos que 18 coligações.  Explicação do calculo no final da matéria.

O resultado. Com uma clausula de 3% teríamos 16 coligações. Com uma barreira de 4% teríamos 9 coligações. E com uma clausula de 5% teríamos 6 coligações. Com partidos mais fortes, com posições mais determinadas e claras a meu ver fica bem mais fácil fazer o controle destas instituições, que deveriam ser mecanismos de representação e se tornaram mecanismos de barganha política e de obtenção de poder e privilégios de uma classe política movída por interesses próprios. Fica para reflexão:

Clausulas

Explicando meu cálculo: Cada coligação precisa ao mínimo 3, 4 ou 5% para poder ter vagas na câmara. Caso não tenha os votos são descartados. Em cima do novo número de votos válidos é feita a distribuição de acordo com o quociente de votos válidos (pós barreira). As cadeiras que não tiverem votos suficientes para o quociente completo são distribuídas de acordo com o maior numero de votos que sobraram para cada legenda depois da primeira rodada.

Ônibus do Metrô Ipanema-Gávea

Por algum motivo a linha de ônibus de integração do Metrô que vai da estação General Osório até a Gávea continua existindo. O que não faz muito sentido já que agora ela percorre metade do seu trajeto literalmente por cima do metrô.

Uma alternativa para continuar a atender a Gávea seria encurtar o trajeto até a estação Antero de Quental como esquematizado abaixo. O trajeto, aproximadamente 50% mais curto, 4,7km vs 9,6km, poderia levar ao encurtamento entre as saídas nessa rota ou liberar veículos para a rota Botafogo-Gávea.

Fica a dica.

MS Ipanema-Gávea

MS Leblon-Gávea

Arena McFla na Gávea e o mimimi

Já há algum tempo o Flamengo tem o projeto de construir um arena multiuso na sua sede. O projeto foi desenvolvido junto com o McDonalds, que teria uma loja adjacente ao estádio e, presumo, o direito de venda dos seus produtos dentro da arena também. Mas desde que a ideia existe também há uma forte oposição de moradores.

O argumento dos moradores é que o local não comporta eventos de tamanho porte. Que a autoestrada Lagoa-Barra viraria um caos. Que não há estacionamento. Que não há meios de transporte. Que seria um absurdo derrubar arvores para construir a arena. Há até o argumento de que a construção iria interferir no espelho d’água da Lagoa e, por este ser tombado, não poderiam construir a arena.

Alguns dos argumentos até parecem fazer algum sentido. Mas quem se der ao trabalho de investigar um pouco mais a fundo e tiver um pouco de bom senso vai acabar vendo que os argumentos contra a arena são fracos.

Arena McFla

Primeiro ao tamanho. Pelas noticias veiculadas a arena teria uma capacidade de aproximadamente 3600 espectadores. Some a isso as equipes, jornalistas, funcionários, etc e o público para um evento cheio ficaria em torno de 4000 pessoas. Para colocar isso em perspectiva: O Maracanazinho tem uma capacidade de 12 mil pessoas. Ou seja. A arena do Flamengo terá uma capacidade de menos de um terço.

Quanto a acessibilidade. É evidente que o local não teria estacionamento para os espectadores, e não deve ter mesmo justamente para evitar transito. O que deve haver é possibilidade de estacionar nos arredores. E há. 600 metros do local fica o estacionamento do Parque dos Patins, na Lagoa, que tem mais de 300 vagas. Além deste há centenas de vagas na Epitácio Pessoa, mais ou menos a 1km de distância. As vagas dos dois locais são largamente subutilizadas no período noturno (e no Caso do Parque dos Patins durante a semana inteira).

Mas evidentemente é sempre melhor que os espectadores deixem seus carros em casa. Pois bem. Além das linhas de ônibus que passam pela Lagoa-Barra em direção ao Rebouças e Dois Irmãos, há uma novíssima estação de metrô a 800 metros de distância de onde ficará a arena. Vale lembrar que cada composição do metrô tem capacidade aproximada de 2000 pessoas. Ou seja, capacidade para escoar os espectadores não falta.

Mas e o caos no transito? O caso já foi levado para uma analise da CET-Rio e simulado em computadores e o resultado: Foi aprovado. Por não ter estacionamento no local, a capacidade ser reduzida e os acessos poderem se dar por dentro das dependências do clube (em vez de pela Lagoa-Barra) o impacto pode ser reduzido.

Ah, mas e as arvores? Esse é um argumento cativo de madames de Ipanema e do Leblon, que já o usaram para tentar barrar uma estação de metrô na Praça Nossa Senhora da Paz. Arvores podem ser replantadas. E verdade seja dita, uma cidade sem verde trás problemas. Mas esses podem ser inteligentemente mitigados. Por exemplo: exigindo do clube que ele implante um telhado verde em cima da arena e em cima da sua sede.

Por fim, haverá quem argumentara que não é necessário mais um estádio para Basquete, Vôlei ou Handball uma vez que já temos o Maracanazinho e as novas Arenas Olímpicas na Barra. Mas há grandes diferenças. As arenas existentes são muito grandes e caras. Ademais estão longe de boa parte do público consumidor. Uma arena com tamanho restrito certamente será mais barata de operar e mais atrativa para uma boa parte do público. Levar as pessoas para o estádio de Vôlei, Basquete e Handball não é apenas um negócio bom para o Flamengo, é para a cidade inteira. Cria-se empregos, renda e se fortalece uma indústria que gira em torno destes esportes que, em comparação com o futebol, são muito negligenciados.

Espero que a arena saia do papel e que seja um fator que fortaleça a pratica desses esportes e a indústria de serviços que gira em torno dessa atividade.

 

A VERGONHOSA integração tarifária BRT-Metrô

Jpeg

Hoje foi anunciado pelos secretários de transporte do estado e município a integração tarifária entre o BRT e o Metrô. Os dois sistemas têm integração física em Vicente de Carvalho (TransCarioca/Linha 2) e no Jardim Oceânico (TransOeste/Linha 4). Em vez de pagar os 7,90 das duas passagens individuais o usuário passará a pagar 7 reais. Um desconto de míseros 90 centavos.

A prefeitura se esfoçou para achar uma maneira de tentar vende o “benefício”. Uma pessoa que use a integração todo dia útil para ir e voltar do trabalho irá economizar 39,60 por mês, ou 475,20 por ano.

Mas se esqueceram que o ponto de referência não é 7,90. E sim 3,80. O preço do ônibus comum que da direito a um transbordo ou a combinação do BRT + Ônibus Comum. Ou seja: Quem for de BRT até o Jardim Oceânico e de la ter a possibilidade de pegar um ônibus para a Zona Sul ou o Metrô terá que pagar 3,20 a mais pela opção mais rápida, mais confortável e que retira mais ônibus da rua gerando menos transito. Mesma coisa vale para Vicente de Carvalho e para todos os trajetos inversos.

A “âncora” portanto é 3,80 e não 7,90. Refazendo os cálculos malandros da Prefeitura temos portanto que para utilizar a integração Metrô+BRT o Carioca vai gastar 140,80 reais a mais por mês ou um total de 1.689,60 por ano. Isso mesmo.

Qual a consequência real? Pessoas de alta renda certamente vão usar o metrô sem titubear. Para quem ganha 5 mil reais por mês o gasto extra 2,8% no seu orçamento em troca de tempo vale a pena. Só para fazer uma conta rápida nesse exemplo: Quem ganha 5000 reais líquidos por mês ganha efetivamente 28,40 por hora. O que significa que para valer 140,80 reais por mês, ou 6,40 por dia (ida e volta), basta que haja uma economia de 14 minutos por dia. Certamente muita gente vai economizar MUITO mais tempo que isso com a Linha 4 e ainda mais com a integração BRT+Metrô. Ou seja, o benefício vale o preço para essas pessoas.

Porem a conta é bem diferente para quem ganha, digamos 1200 reais líquidos por mês. Nesse caso o custo adicional para usar a Integração Metrô+BRT, em relação ao ônibus, tem um impacto de quase 12% no orçamento. E a economia só valeria a pena se economizasse quase uma hora inteira por dia. Isso sem falar no fato que muitas pessoas sequer tem os 12% a mais de orçamento para se valer de tal opção.

O efeito prático é bem claro: A integração BRT+Metrô ficará restrita a pessoas de maior poder aquisitivo. Para as classes sociais menos abastadas, justamente aquelas que dependem mais do transporte público e que gastam mais tempo todo dia para ir e voltar para o trabalho, o benefício trazido pelo Metrô até a Barra e pela integração física destes dois modais, será um artigo de luxo fora do alcance diário.

E ainda vem pior. Certamente haverá uma diminuição das opções de ônibus que fazem o trajeto paralelo ao metrô no eixo Barra-Zona Sul. Isso até é uma coisa boa para o trânsito e seria para a cidade toda se não fosse o problema descrito até aqui. Efeito prático: Intervalos maiores, tempo de deslocamento maior e ônibus mais lotados justamente, e novamente, para a população mais pobre.

É uma VERGONHA. Depois de bilhões de reais de dinheiro de impostos investidos na expansão do Metrô e do BRT excluir do seu uso a população que mais precisa desses equipamentos.

Pseudodebate Eleitoral

A cada 2 anos é a mesma coisa. Eleições. E junto com as eleições vêm os debates nas emissoras de TV. Mas o que se vê é mais um circo de frases treinadas e ensaiadas para caber em segundos contados. 90 segundos para falar sobre mobilidade urbana? Em 90 segundos não cabe. Não cabe mobilidade. Não cabe segurança. Não cabe habitação.

Mas pior que isso. Não há qualquer tipo de rigor quanto a qualidade do debate. Estou agora mesmo assistindo a um deles. Perguntas específicas sobre um tema recebem uma resposta completamente desconexa, sem nada a ver com o tema proposto. E fica por isso mesmo. Ningúem intorompe e pede para o candidato voltar ao tema. E se não tem nada a falar, que não fale nada.

É um blá blá blá isomórfico e vazio de conteúdo que não da para chamar de nada mais do que um PSEUDODEBATE DE MERDA.

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