A VERGONHOSA integração tarifária BRT-Metrô

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Hoje foi anunciado pelos secretários de transporte do estado e município a integração tarifária entre o BRT e o Metrô. Os dois sistemas têm integração física em Vicente de Carvalho (TransCarioca/Linha 2) e no Jardim Oceânico (TransOeste/Linha 4). Em vez de pagar os 7,90 das duas passagens individuais o usuário passará a pagar 7 reais. Um desconto de míseros 90 centavos.

A prefeitura se esfoçou para achar uma maneira de tentar vende o “benefício”. Uma pessoa que use a integração todo dia útil para ir e voltar do trabalho irá economizar 39,60 por mês, ou 475,20 por ano.

Mas se esqueceram que o ponto de referência não é 7,90. E sim 3,80. O preço do ônibus comum que da direito a um transbordo ou a combinação do BRT + Ônibus Comum. Ou seja: Quem for de BRT até o Jardim Oceânico e de la ter a possibilidade de pegar um ônibus para a Zona Sul ou o Metrô terá que pagar 3,20 a mais pela opção mais rápida, mais confortável e que retira mais ônibus da rua gerando menos transito. Mesma coisa vale para Vicente de Carvalho e para todos os trajetos inversos.

A “âncora” portanto é 3,80 e não 7,90. Refazendo os cálculos malandros da Prefeitura temos portanto que para utilizar a integração Metrô+BRT o Carioca vai gastar 140,80 reais a mais por mês ou um total de 1.689,60 por ano. Isso mesmo.

Qual a consequência real? Pessoas de alta renda certamente vão usar o metrô sem titubear. Para quem ganha 5 mil reais por mês o gasto extra 2,8% no seu orçamento em troca de tempo vale a pena. Só para fazer uma conta rápida nesse exemplo: Quem ganha 5000 reais líquidos por mês ganha efetivamente 28,40 por hora. O que significa que para valer 140,80 reais por mês, ou 6,40 por dia (ida e volta), basta que haja uma economia de 14 minutos por dia. Certamente muita gente vai economizar MUITO mais tempo que isso com a Linha 4 e ainda mais com a integração BRT+Metrô. Ou seja, o benefício vale o preço para essas pessoas.

Porem a conta é bem diferente para quem ganha, digamos 1200 reais líquidos por mês. Nesse caso o custo adicional para usar a Integração Metrô+BRT, em relação ao ônibus, tem um impacto de quase 12% no orçamento. E a economia só valeria a pena se economizasse quase uma hora inteira por dia. Isso sem falar no fato que muitas pessoas sequer tem os 12% a mais de orçamento para se valer de tal opção.

O efeito prático é bem claro: A integração BRT+Metrô ficará restrita a pessoas de maior poder aquisitivo. Para as classes sociais menos abastadas, justamente aquelas que dependem mais do transporte público e que gastam mais tempo todo dia para ir e voltar para o trabalho, o benefício trazido pelo Metrô até a Barra e pela integração física destes dois modais, será um artigo de luxo fora do alcance diário.

E ainda vem pior. Certamente haverá uma diminuição das opções de ônibus que fazem o trajeto paralelo ao metrô no eixo Barra-Zona Sul. Isso até é uma coisa boa para o trânsito e seria para a cidade toda se não fosse o problema descrito até aqui. Efeito prático: Intervalos maiores, tempo de deslocamento maior e ônibus mais lotados justamente, e novamente, para a população mais pobre.

É uma VERGONHA. Depois de bilhões de reais de dinheiro de impostos investidos na expansão do Metrô e do BRT excluir do seu uso a população que mais precisa desses equipamentos.

Pseudodebate de Merda

A cada 2 anos é a mesma coisa. Eleições. E junto com as eleições vêm os debates nas emissoras de TV. Mas o que se vê é mais um circo de frases treinadas e ensaiadas para caber em segundos contados. 90 segundos para falar sobre mobilidade urbana? Em 90 segundos não cabe. Não cabe mobilidade. Não cabe segurança. Não cabe habitação.

Mas pior que isso. Não há qualquer tipo de rigor quanto a qualidade do debate. Estou agora mesmo assistindo a um deles. Perguntas específicas sobre um tema recebem uma resposta completamente desconexa, sem nada a ver com o tema proposto. E fica por isso mesmo. Ningúem intorompe e pede para o candidato voltar ao tema. E se não tem nada a falar, que não fale nada.

É um blá blá blá isomórfico e vazio de conteúdo que não da para chamar de nada mais do que um PSEUDODEBATE DE MERDA.

Eleitor: LEIA! Programas de Governo dos candidatos

Muita gente vai dizer que isso tudo ai é só blá blá blá. Mas será? Ao contrário das questões nacionais as questões municipais são muito mais GESTÃO do que grandes questões ideológicas. A prefeitura tem que colocar a maquina para rodar. E o eleitor tem que fiscalizar se o governo está entregando aquilo para qual foi eleito.

E um desses mecanismos é o programa de governo. Abaixo estão todos os programas registrados no TSE no dia de ontem. Não vou entrar em maiores detalhes aqui (vou tentar fazer um outro post analisando APENAS a questão de transportes). Espero que os leitores se deem o trabalho de ao menos dar uma olhada rápida no material do seu candidato. E porque não, nos outros também.

Porque acho que esse documento é importante?

Porque seja quem quer que vá ganhar a eleição, deveríamos de forma estruturada cobrar do eleito os pontos que colocaram no programa. Ou seja: Prometeu melhorar o transporte urbano. Melhorou? (diga-se de passagem, uma péssima promessa uma vez que a meta é absolutamente abstrata. O que é melhorar? Qual o critério? Qual a medição?). Vejam por exemplo esse painel do Globo, listando as promessas do programa de governo de Paes, analisadas UMA A UMA.

Então se deem o trabalho de olhar os programas e se perguntar: O que isso quer dizer? Nos próximos 4 anos, baseado nesse programa de governo, eu posso cobrar a gestão municipal por questões específicas e claras que ela prometeu? Ou há apenas promessas vagas e pouco específicas com critérios de avaliação que dependem muito mais de interpretação do que de fatos?

Boa leitura. Só clicar para abrir ou baixar os PDFs dos candidatos. (Baixados dia 30/08/2016 do site do TSE)

Alessandro Molon – REDE / PV / PPL

Carlos Roberto Osório – PSDB / PPS / DEM

Carmen Migueles – NOVO

Cyro Garcia – PSTU

Flávio Bolsonaro – PSC / PRP

Índio da Costa – PSD / PSB / PMB

Jandira Feghali – PcdoB / PT

Marcelo Crivella – PRB / PR / PTN

Marcelo Freixo – PSOL / PCB

Pedro Paulo – PMDB / PDT / PP / PTB / PSL / SD / PROS / PHS / PMN / PEN / PSDC / PTC / PTdoB / PRTB

Thelma Bastos – PCO

Mais um absurdo da FETRANSPOR.

A capacidade das empresas de transporte do Rio de Janeiro de trabalharem contra o bom funcionamento do sistema de transporte público da cidade não conhece limites. E de novo vamos falar da bilhetagem eletrônica. A deficiente bilhetagem eletrônica.

Além de não haver uma rede extensa de pontos de venda e recarga para os cartões de transporte municipais (e sem falar no fato que existem cartões distintos para ônibus, metrô e trem), o sistema online de recargas sempre foi uma bela de uma porcaria. Havia a possibilidade sim de fazer recargas online, e continua existindo. Mas o site é simplesmente ruim e desestimulante. Eu, que não sou nenhum iletrado digital e gosto de resolver minhas pendências pela internet, já desisti do site. O motivo? Sempre realizo recargas para durarem algum tempo. 200, 300 reais por vez. O que quer dizer que meus acessos ao site eram esporádicos. Pois bem, a plataforma requer que você troque de senha periodicamente, e que use senhas complexas. Mais complexas do que do meu banco. Não faz sentido algum. Motivo pelo qual para todo acesso eu precisava pedir uma nova senha. Resultado. Desisti e agora carrego meu cartão nos escassos totens de autoatendimento no metrô.

Mas eis que a FETRANSPOR vem com a “solução”. Um site chamado Recarga Fácil, em que é possível fazer a recarga online SEM PRECISAR de um cadastro, utilizando apenas o numero do cartão. Até que enfim pensaram um pouco no consumidor. Ótimo né? Tem até campanha nas rádios para estimular o uso.

Eis que ao usar o novo sistema de recarga  online me deparo com uma singela linha: Taxa de Conveniência R$ 1,95. Parece piada mas não é. Para ter a conveniência de não ter que usar o péssimo portal da FETRANSPOR eu posso pagar a mesma FETRANSPOR. Que meigo. Criam dificuldades para vender facilidades. Esse é o jeitinho brasileiro de sacanear o cliente. Vale lembrar: aquele que usar o péssimo portal da mesma empresa não paga a taxa.

Recarga Facil CaosCarioca

O absurdo é maior ainda quando se analisar que as empresas de transporte estão recebendo o meu dinheiro antes mesmo de prestar qualquer tipo de serviço de transporte. E ao receber o dinheiro de forma antecipada tem efetivamente uma vantagem financeira decorrente. É uma forma de antecipar os recebíveis destas companhias, que podem aplicar o dinheiro e lucrar com isso. E para isso ainda querem cobrar uma taxa de conveniência? Se alguma coisa deveria é haver algum tipo de bônus ou benefício para recargas de maior valor, não o contrário.

Mais uma vez o Carioca é feito de palhaço pelas empresas de ônibus. A prefeitura fica quietinha na dela e os nossos queridos vereadores estão mais preocupados com a eleição do que fazer qualquer tipo de trabalho relevante.

A bolha de vidro chamada Olimpíadas

Nada de Zika, de Guanabara cheia de lixo e esgoto ou de violência desenfreada. O Rio de Janeiro, e o Brasil, provaram mais uma vez que sabem fazer uma bela festa. Os contratempos foram mitigados com os jeitinhos brasileiros, a exemplo da falta de comida no Parque Olímpico nos primeiros dias (mitigado com a convocação de food trucks para dentro das arenas). Se a água da piscina ficou verde, troca-se a água. Não que a Guanabara ficou limpa ou a violência sumiu, mas elas não tomaram o centro do palco.

A abertura encantou, os jogos cativaram e o encerramento fechou a festa com chave de ouro. Eu pessoalmente fui há alguns eventos e locais das Olimpíadas. Parque Olímpico, Arena de Vôlei de Praia, Maracanazinho e, é claro, ao Bulevar Olímpico entre a Praça Mauá e Armazém 6.

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Até mesmo o transporte funcionou relativamente bem (apesar do preço absurdo de 25 reais para usar a Linha 4 do metrô). Fui três vezes até o Parque Olímpico, transporte cheio sim, mas “aturável”.

O problema é que tudo isso que vimos e mostramos nas Olimpíadas está longe da realidade Carioca do dia a dia. Até depois das eleições a cidade continua contando com apoio das forças armadas para a segurança. Mas e depois? Não tardará para que noticias de crimes absurdos voltem as manchar a imagem da cidade.

O Rio de Janeiro tem um ENORME potencial econômico não explorado com o turismo nacional e internacional. Recebemos muito menos turistas na cidade do que temos potencial de receber. E eventos como a Copa e as Olimpíadas deveriam ser a vitrine, não para atrair turistas durante os eventos, mas para manter o fluxo de turistas DEPOIS dos eventos.

A bolha de dos Jogos ainda está de pé (mesmo com algumas manchas de esgoto e algumas rachaduras de violência). O desafio agora para o Rio de Janeiro é cristalizar uma nova imagem da cidade a fim de atrair mais turistas.

Acontece que continuamos em uma crise econômica (mesmo que haja indícios de melhora), continuamos com sérias deficiências na mobilidade pública, continuamos sem ter programas sustentáveis de habitação de baixa renda, continuamos com educação de baixa qualidade. E principalmente, continuamos em uma situação de segurança extremamente deficiente, com o programa das UPPs indo água abaixo e não tardará para que novas situações de guerra civil urbana estraçalhem a vitrine que foram os jogos olímpicos do Rio de Janeiro 2016.

Proposta de lei óbvia para melhorar a mobilidade

Bilhete UnicoUma coisa que me espanta no Rio de Janeiro é como é difícil comprar uma das coisas mais simples. Um bilhete eletrônico para o transporte na cidade. Os pontos de venda são escassos, a maioria funciona somente nos dias úteis entre 9 e 18 horas, e mesmo quando se está perto de um destes a aquisição pode ser uma saga que leva mais de uma hora. E estamos falando da segunda maior cidade do país, que sedia grandes eventos nacionais e internacionais (entre estes a Copa e Olimpíadas).

Outra coisa que me espanta no Brasil é a má qualidade do trabalho legislativo. Não tenho conhecimento de nenhuma proposta de lei semelhante no Rio. Mas pelo que conheço dos nossos vereadores a redação seria inespecífica, pouco clara e deixaria brechas abertas de todos os lados. E isso é uma característica massificada, de PSOL a PSC, de PT a PSDB. Não faltam exemplos de leis mal escritas.

Por isso resolvi gastar uma horinha da minha vida e um pouco de bom senso para propor o projeto abaixo. Vou submeter ele a todos os vereadores (mesmo que esses estejam pouco se lixando para o trabalho legislativo, pelo qual são pagos, pelo resto do ano, uma vez que há eleições municipais em Outubro), assim como pelos canais de comunicação da Câmara e a possíveis candidatos com quem tiver contato nos próximos meses. Vamos ver se inspira alguém a fazer um trabalho que realmente melhore a mobilidade pública.

Se você leitor gostou da proposta, compartilhe. Se tiver alguma contribuiçã, deixe um comentário.

Projeto de Lei CC.1.2016

Dispõem sobre pontos de venda de cartões eletrônicos para pagamento de transporte público (RioCard/Bilhete Único).

Art 1º: Fica obrigado disponibilizar pontos de venda de cartões eletrônicos de pagamento de transporte público (Rio Card / Bilhete Único Carioca) em todas as regiões administrativas da cidade do Rio de Janeiro em uma proporção mínima de 1 ponto de venda para cada 10.000 habitantes (de acordo com Censo 2010). Deve ser considerado 1 ponto para cada grupo, mesmo que incompleto, de 10.000 habitantes (exemplo: Paquetá com 3.361 habitantes deve ter ao menos 1 ponto de venda)

I – No mínimo 50% dos pontos de venda em cada região administrativa devem ser do tipo “autoatendimento” funcionando ininterruptamente 24 horas por dia, 365 dias por ano. Os demais pontos de venda devem estar disponíveis ao público no mínimo entre 08:00 e 18:00 dos dias úteis.

II – Para efeito desta lei, dois ou mais terminais de autoatendimento dispostos a menos de 100 metros entre si, ou dentro de um mesmo estabelecimento/local (ex. Central do Brasil, Aeroporto) serão considerados apenas como 1 ponto de venda.

III – Pontos de venda com um único terminais de autoatendimento devem ter disponibilidade de funcionamento mínima de 99% ao ano, não podendo ficar inoperante por um período superior a 16 horas. Pontos de venda com mais de um terminal de autoatendimento devem ter disponibilidade mínima de 99% ao ano e terminais não podem ficar inoperantes por um período maior do que 48 horas desde que haja terminais adjacentes em funcionamento. Em caso de falha de todos os terminais de um ponto de venda o período considerado é de 16 horas. A disponibilidade de funcionamento deve ser disponibilizada em tempo real através de plataforma online.

IV – Todos os pontos de venda (presenciais e de autoatendimento) devem ter o seu quantitativo de cartões disponíveis disponibilizado em tempo real através de plataforma online.

V – Disponibilidade mínima de cartões nos pontos de venda:

a) Terminais de autoatendimento não podem ter quantitativo de cartões disponível menor do que 50 por um período de 48 horas e não podem ter quantitativo menor do que 10 por um período de 8 horas.

b) Pontos de venda presenciais não podem ter quantitativo de cartões disponível menor do que 30 por um período de 48 horas e não podem ter quantitativo menor do que 8 por um período de 8 horas.

c) Pontos de venda presenciais localizados em terminais rodoviários da cidade do Rio de Janeiro, terminal de barcas, estações de integração e terminais de metrô e trem não podem ter quantitativo de cartões disponível menor do que 200 por um período de 48 horas e não podem ter quantitativo menor do que 50 por um período de 8 horas.

VI – Regiões Administrativas com mais de 5 pontos de venda devem ter ao menos 1 ponto de venda apto a recolher bilhetes não mais usados e devolver o dinheiro em espécie, crédito bancário ou crédito em cartão de crédito, ao portador. Estes não precisam ser do tipo autoatendimento. Todo ponto de venda que não for de autoatendimento deve estar apto a recolher cartões e reembolsar o portador. Todo cartão associado a um CPF apenas poderá ser reembolsado ao titular do cartão. Todos os terminais rodoviários da cidade do Rio de Janeiro, terminal de barcas, estações de integração e terminais de metrô e trem devem ter um ponto de vendas apto à devolução de créditos.

a)É vedada a cobrança de qualquer valor para o resgate do saldo do cartão de transporte assim como a realização de cadastro, preenchimento de requisições ou a solicitação de documentos exceto documento oficial com foto para resgate dos valores de um cartão associado a um CPF.

Art 2º: O valor mínimo para aquisição do bilhete eletrônico em terminais de autoatendimento deve ser de no máximo 40 reais na data em que está lei entrar em vigor. Decorrido 1 ano o valor máximo para aquisição de bilhete eletrônico em terminais de autoatendimento deverá ser reduzido a 20 reais.

Art 3º: Todos terminais de autoatendimento devem aceitar notas de 2, 5, 10, 20, 50 e 100 reais para aquisição e recarga de cartões eletrônicos, sendo facultado a aceitação de moedas e a disponibilização de troco. Ademais devem aceitar o pagamento através de cartão de débito e crédito de no mínimo das 5 maiores bandeiras em nível nacional.

Art 4º: Ficam responsabilizados pela instalação e manutenção dos pontos de venda, recarga e recolhimento os consórcios operadores das linhas de ônibus municipais do Rio de Janeiro.

I – Fica vedado qualquer tipo de repasse do custo de instalação e manutenção dos equipamentos em questão à administração pública e aos passageiros dos modais de transporte através das tarifas.

II – É vedado qualquer tipo de cobrança de taxa de serviço ou conveniência nos pontos de venda para recarga, compra ou reembolso de créditos.

III – Fica facultado aos consórcios responsáveis pela instalação e manutenção dos pontos de venda a instalação de painéis eletrônicos para venda de espaço publicitário nas maquinas de autoatendimento com tamanho máximo de 0,4m² por ponto de autoatendimento, obedecendo as demais regulamentações sobre propaganda e publicidade dos locais de instalação.

IV – É facultado aos consórcios responsáveis ofertar serviços eletrônicos tais como recarga de créditos de telefones móveis e serviços similares em pontos de venda de autoatendimento desde que haja ao menos 2 terminais de atendimento no ponto de venda em questão.

Art 5º: O não atendimento aos itens dos artigos desta lei deve ser punido com multa por evento de 10 mil reais. Configura um evento a constatação de não atendimento aos itens listados, podendo acumular nova multa pelo mesmo fator gerador depois de 24 horas subsequentes de maneira ilimitada. A disponibilização de informações equivocadas nas plataformas online que forem identificadas através de fiscalização aleatória dos pontos de venda será punida com multa de 50 mil reais.

Art 6º: Deverão contar com postos de autoatendimento: todos os terminais rodoviários da cidade do Rio de Janeiro; Aeroportos Santos Dumont e Antônio Carlos Jobim; Terminal de navios de turismo; terminal de barcas; estações metroviárias e ferroviárias e estações de BRT.

Art 7º: Fica delegada a Secretaria Municipal de Transportes a atribuição de realizar o acompanhamento dos indicadores de disponibilidade dos pontos de venda e quantitativos mínimos de cartões disponíveis por ponto de venda, emitindo mensalmente relatório do desempenho operacional do sistema de vendas. Ademais, fica a SMTR responsável por realizar averiguações em pontos e horários aleatórios para atestar a assertividade das informações disponibilizadas pelas concessionárias.

Art 8º: Cronograma de implantação

I – A partir da data de publicação da presente lei os consórcios tem um prazo de 3 meses para instalação mínima de ao menos 2 pontos de coleta e reembolso de cartões retornados, em cada área de planejamento. (mínimo de 10 no total)

II – Decorridos 6 meses da data de publicação da presente lei ao menos 1 ponto de venda deverá estar funcionando por região administrativa, sendo ao menos 50% do total destes do tipo autoatendimento. (mínimo de 33 no total com ao menos 16 do tipo autoatendimento)

III – Decorridos 12 meses da data de publicação da presente lei ao menos 50% dos pontos de atendimento, por região administrativa, deverão estar em funcionamento. (mínimo de 324 pontos com ao menos 162 de autoatendimento)

IV– 100% do quantitativo mínimo devem estar instalados ate 24 meses após a publicação desta lei. (mínimo de 647 pontos com 324 de autoatendimento)

Justificativa: A fim de facilitar o dia a dia de moradores e turistas da cidade do Rio de Janeiro o acesso à bilhetagem eletrônica deve ser difundido e massificado. Hoje em dia a compra do bilhete eletrônico (RioCard) é precária e realizada apenas em poucos locais da cidade. Por exemplo, para toda Zona Sul da cidade há apenas um ponto de venda.

O bilhete eletrônico facilita o uso do transporte público pelo cidadão e agiliza o embarque do mesmo na condução, especialmente o ônibus comum, tornando o sistema como um todo mais eficiente.

Ademias a massificação da bilhetagem eletrônica pode ser um fator de controle de custos através da eliminação da função do trocador, desde que tal economia seja considerada no reajuste da tarifa do modal de acordo com a clausula 11.3. do atual contrato de concessão das linha de ônibus municipais.

Os custos de implantação e manutenção da rede de pontos de venda podem ser mitigados pela venda de espaço publicitário e a comercialização e outros serviços de autoatendimento, tais como venda de créditos para telefones móveis. Ademais há economias operacionais aos consórcios através do embarque mais ágil e menor necessidade de gerenciamento de dinheiro em espécie.

Por fim, visto a crescente frota sem a figura do trocador a bilhetagem eletrônica requer menos tempo e atenção do condutor, diminuindo tempo de embarque a aumentando a segurança.

Rio precisa investir mais nos BRTs

Tem muita gente que não acredita no benefício dos BRTs que estão sendo implantados na cidade. “BRT é ônibus, sim, ÔNIBUS” é a frase de alguns para criticar os mesmos e defender que no lugar dos mesmos deveria ter se construído linhas de metrô. Acontece que nenhum desses críticos parece se importar com o fato que dinheiro não cai do céu e que para construir o equivalente em metrô ao que foi construído de BRT nos últimos 8 anos necessitaríamos um investimento 10 vezes maior (além de muito mais tempo). Isso sem falar que ônibus não é igual a ônibus. Por mais que o sistema ainda seja primitivo e cheio de problemas a operação de hoje, com BRT, BRS, Bilhete Único e introdução de novos veículos é superior ao que se via 10 anos atrás.

E mesmo quem é radicalmente contra o BRT em favor do metrô não pode fugir do fato que as linhas de BRT foram construídas e estão ai. Não aproveitar o máximo que elas podem trazer em benefício à cidade é jogar dinheiro fora. E há oportunidades de melhoria.

As mais básicas são óbvias. Não é possível admitir que as estações sejam vandalizadas, as portas fiquem abertas e passageiros burlem o sistema de pagamento entrando pela pista na estação. Desordem gera desordem. E um espaço mal cuidado induz a ocorrência de outros delitos. Essa é a primeira questão e a mais básica.

Mas há oportunidades muito maiores no horizonte. Ônibus autônomos. Veículos controlados por computadores e munidos de sensores para possibilitar um ganho operacional difícil de replicar com um motorista ao volante. E essa realidade não está tão longe assim. Na Holanda a Mercedes já está testando um ônibus autônomo em uma linha de BRT que liga o Aeroporto Schiprol à cidade de Haarlem. O trajeto de 20km tem curvas fechadas, tuneis, pontes e trajetos em que o veiculo alcança 70km/h.

Porque isso é interessante? Um sistema controlado por computadores pode aumentar a eficiência e qualidade do serviço de BRT. Paradas sempre exatas nas estações, aceleração e frenagem ideal. Sistemas de segurança para evitar acidentes com outros veículos, pedestres e ciclistas. E a capacidade de sincronizar perfeitamente os tempos de sinais e velocidade dos veículos para permitir uma operação mais eficiente.  Vai além. Seria possível por exemplo ter comboios de 2 BRTs andando “colados” um no outro sem comprometer a segurança (o que hoje é impossível), como se fossem um grande veiculo.

Em vez da cidade ficar parada vendo a tecnologia se desenvolver ao redor do mundo e somente pensar em implementar esse tipo de solução em algumas décadas deveríamos tentar atrair empresas que tenham interesse em desenvolver essa tecnologia e implementar sistemas de ponta que podem alavancar a atual infraestrutura de transporte em um prazo muito menor do que a construção e linhas de metrô e a um custo muito menor.

Os investimentos em metrô e trem não deixam de ser necessários, mas não adianta focar somente nessa solução, especialmente em tempos de limitação financeira do estado.

A gincana do RioCard Olímpico

Além de absurdamente caro e estar claramente enchendo o bolso de alguns empresários da cidade em detrimento da população e dos espectadores (leia aqui), o RioCard Olímpico necessita de muita paciência para ser adquirido. E já sei a defesa da prefeitura e da Fetranspor, vão dizer que para conveniência o cartão pode ser adquirido pela internet (pagando uma módica taxa de entrega de 16,62 reais. Não há nem como falar em vergonha, é pura safadeza mesmo.

Segue abaixo o relato anônimo de um leitor do CaosCarioca sobre a verdadeira gincana que é adiquirir os bilhetes.

cartoes riocard olimpico

“Hoje fui comprar o RioCard das Olimpíadas, e vi que foi uma pequena gincana inacreditável em sua ineficiência e logística.

Primeiro passei na agência do RioCard na Nilo Peçanha, conforme indicado como referência de vendas a partir de hoje (15 de julho). Lá me informaram que ainda não estavam vendendo, só a partir da “semana que vem”, sem precisar uma data. Mas que eu poderia encontrar à venda na estação de metrô Carioca.

Na estação de metrô foi um pouco complicado encontrar, já que as máquinas estão bem escondidas (não há faixas ou galhardetes chamando a atenção para o local).

Ao chegar as máquinas você percebia que havia alguns funcionários para te auxiliar na compra. Comentei com uma delas que ao invés de ficarem ali escondidos elas deveriam ser colocadas à vista de quem estivesse, como eu, procurando o local de compra.

Perguntei se aceitavam cartão de débito ou crédito e ela disse que só dinheiro. Lamentei pelos turistas. Tirei então uma nota de 50 reais da carteira e logo me foi informado pela funcionária que a máquina não da troco, eu disse que tudo bem (ainda que achando ruim esse fato), já que iria comprar 2 bilhetes. Então ela me disse que a máquina só deixava comprar um por vez, ou seja, eu teria que te notas trocadas em valores exatos.

Perguntei então se ela poderia trocar para mim e ela disse que não, mas que eu poderia trocar nas bilheterias do metrô. Achei muito ruim e lamentei pelos turistas.

Exercitando a paciência fui até a bilheteria e a funcionária disse que não poderia trocar. Eu informei então o que eu havia sido orientado a ir até ali trocar e ela disse que nem sabia que estavam vendendo aquele tipo de cartão ali. Mas sensibilizada ela acabou trocando por duas notas de 20 e uma de 10 e eu pedi mais uma gentileza, trocar uma de 10 por duas de 5.

Pronto, somente agora poderia comprar, cartão por cartão.

Inacreditável uma máquina vendendo esse tipo de cartão, para um evento desse porte, para um público diversificado de todas as partes do mundo, que só aceite cédulas, que fique escondida em um canto da estação e com funcionários totalmente subutilizados, já que além de não estarem pela estação chamando a atenção para a máquina, deveriam – no caso da limitação das máquinas, no mínimo fazer troco para quem chegasse lá sem a sorte de ter o dinheiro trocado no valor exato.

E o cartão sequer é barato. Inacreditável.”

Prefeitura é corresponsável pela segurança do Rio

O prefeito Eduardo Paes partiu para o ataque. O alvo é o governo estadual, que sempre foi seu aliado e parceiro, segundo o próprio prefeito. Em tempos de crise parece que o mais conveniente é apontar o dedo para o próximo e tentar se livrar das responsabilidades. Em entrevistas recentes, inclusive a jornais internacionais, o prefeito atribui a crise na segurança pública unicamente ao governo estadual, que vive uma crise financeira sem precedentes e está em situação pior que o município.

Não só Eduardo Paes, mas também o ex-prefeito César Maia, usam o argumento de que a segurança pública é uma atribuição do governo Estadual. Ambos, prefeito e ex-prefeito tiram o corpo fora. Mas é?

Sim, o estado é o gestor das forças de segurança armadas. Polícia Militar e Polícia Civil, as mais notórias. Mas a ideia que segurança se faz apenas com polícia não se sustenta. Segurança pública é uma condição decorrente de inúmeros fatores que podem ser alavancados por diversos atores. Mais PMs nas esquinas não são a solução para a segurança pública na nossa cidade. Não adianta encher a cidade de policiais com fuzil na mão se os outros sistemas não trabalham em sinergia. É evidente que a favelização da cidade propicia amplas regiões geográficas de difícil policiamento, acesso e deslocamento, e por consequência possibilitam a existência de grupos paramilitares com armas de guerra. A prefeitura é grande responsabilidade sobre a existência e continuada expansão das favelas cariocas.

Especificamente falando da gestão Eduardo Paes a falha mais evidente está ligada a isso. O continuado processo de favelização da cidade. Fotos de satélite mostram essa evolução e maneira claríssima nas favelas mais horizontais, como nos exemplos abaixo na Maré e Parque das Missões (vejam os GIFs abaixo comparando 2003 com 2016). Nas favelas da Zona Sul o processo não é tão evidente pelas fotos aéreas, mas nesse caso as favelas cresceram muito para cima mantendo a mesma área horizontal (vejam as fotos no final da matéria). Hoje em dia não são raros os barracos com 3, 4 ou mais andares. Quanto maior e mais adensada a favela, maiores são as dificuldades para manter a segurança. Isso sem falar nas questões de qualidade de vida, saúde e salubridade de quem habita esses locais, o que é um outro problema e vetor de custos sociais e financeiros para a sociedade. Que fique claro, não é um problema causado pelas pessoas que moram nas favelas, mas pela falta de políticas públicas que levem a possibilidade da maior parte dessas pessoas optarem a não morar em favelas.

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Parque das Missoes

Não bastando a negligência no processo de favelização o governo Eduardo Paes ainda tem seu pedaço de responsabilidade do desmantelamento e fracasso das UPPs. O processo de pacificação as favelas nunca teve como objetivo final a simples ocupação armada destes locais pela Polícia. Basta ver as inúmeras entrevistas do Secretário Beltrame. A ocupação policial deveria ter sido o primeiro passo para a ocupação destes locais por todos os agentes e serviços públicos. Saneamento, Educação, Habitação, Cultura, etc. A única UPP que teve investimentos consistentes nesse sentido foi a primeira, no morro Santa Marta. Esta sempre foi usada como vitrine e peça de propaganda pelos gestores públicos. Mas investimentos similares nas demais UPPs ficaram pelo caminho. UPPs feitas só de polícia na esquina estavam fadadas ao fracasso. E fracassaram.

A prefeitura tem efeito a longo e curto prazo sobre questões de segurança através de outras alavancas também, para não me estender demais apenas mais dois exemplos rápidos: Transporte público a fim de evitara  favelização e Ordem Pública, diminuindo a sensação de abandono e principalmente pequenos delitos.

Em suma: Segurança Pública NÃO depende apenas da Polícia e a prefeitura TEM SIM responsabilidade sobre a atual situação de segurança pública da nossa cidade. Precisamos parar com essa mentalidade de achar que segurança é uma responsabilidade única do Secretário de Segurança Pública, que deveria na verdade se chamar Secretário de Polícia.

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