Bilhete Unitário do Metrô Rio.

Semana passada tive que usar o Metrô do Rio de Janeiro. Apesar de não ter sofrido com super lotação e problemas de atraso me deparei com uma bela “pegadinha” da concessionária. O bilhete unitário agora só tem validade de três dias. Eu, que tinha recebido um cartão de minha mãe na semana anterior fiquei preso na catraca de acesso com a mensagem de que o bilhete tinha expirado. Fui então ao caixa, depois de enfrentar uma fila de quase 10 minutos, para ser informado que eu teria que pagar mais um real para reativar o cartão. Me recusei e comprei um novo a fim de preservar a “prova do crime” cometido pelo Metrô Rio. Mas a semana piorou ainda mais. Na sexta feira tive que de novo utilizar o Metrô. Meu planejamento inicial era ir da Cinelândia ao Largo do Machado, e posteriormente continuar ate Botafogo. Portanto comprei dois cartões unitários. Mas no meio do caminho mudei de plano e resolvi seguir de Ônibus e agora tenho mais um cartão unitário, invalido também. Quem ganhou com isso? Bem, o Metrô Rio ganhou R$ 5,60 sem prestar serviço algum.
Inconformado entrei em contato com a assessoria de imprensa do Metrô Rio questionando essa política. Fui prontamente atendido pela senhora Cristina Valente, da empresa que presta o serviço de comunicação para o Metrô. A resposta porem deixa a desejar. Segundo Cristina “os cartões eletrônicos foram adotados a partir da modernização do sistema de bilhetagem que era obsoleto”. Segundo a assessora o uso dos antigos bilhetes de papel levava ao lixo aproximadamente 530 mil dos bilhetes que não podiam ser reaproveitados, e que portanto a opção pelos novos cartões de plastico (reutilizável) é ambientalmente mais responsável. A empresa defende a legalidade da validade de 3 dias alegando que a politica é amplamente divulgada e que oferece também cartões recarregáveis que tem validade maior (se não me engano de ate 5 anos) e que permitem que os usuários assíduos do Metrô evitem as filas diariamente.
Porem uma rápida busca no google mostra que em começo de 2009 houve uma ação da Comissão de defesa do Consumidor da ALERJ e que a Juíza Márcia Cunha Silva Araújo de Carvalho, da 2ª Vara Empresarial do Tribunal de Justiça do Estado do Rio de Janeiro deu parecer contra a validade de 3 dias do bilhete do Metrô Rio se baseando no fato que a empresa estaria obtendo vantagens indevidas e prejudicando o usuário. Nesse mesmo parecer determinou que os bilhetes únicos deveriam ter prazo de pelo menos 30 dias sobre pena de multa de 50 mil reais diários caso a Metrô Rio não cumprisse a determinação.
O Metrô Rio não me informou se essa ação foi derrubada ou suspensa, mas creio que o mérito é de fácil compreensão. Limitar a vida útil do bilhete unitário a trés dias é claramente desvantajoso para o usuário, e bastante vantajoso para a concessionária. Não somente ganha a empresa com a não prestação do serviço já paga se o bilhete expira, mas também ganha com a alternativa do cartão recarregável pois a empresa consegue antecipar caixa e arrecadação sem prestar o serviço naquela mesma hora. Note também que o cartão recarregável não tem nenhum incentivo como descontos ou tarifa reduzida, a única vantagem é não ter que enfrentar as filas dos caixas. E lembremos que as filas do caixa são controladas justamente pela empresa. Quem paga a essa conta e novamente fica com cara de palhaço? Eu perdi R$5,60, imagina quantos milhares de reais diários a Metrô Rio não esta embolsando com essa nova pegadinha?

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10 comments to Bilhete Unitário do Metrô Rio.

  • David

    E o novo golpe do Governo do estado… a dita linha 4 de ipanema ao jardim oceanico….. quanto tempo para ser integrada a linha 1… quem adivinha ??

    Já já estaremos no livro dos recordes com a linha de metro mais longa do mundo!!

  • paola

    o problema é que o povo daqui é frouxo. se fosse la fora já tinham quebrado tudo, protestado, infernizado os governantes. mas do jeito que brasileiro é cordeirinho, nada é feito. só se ferra! eu to xingando, mas nao tiro a minha parcela culpa por nao protestar. mas tb nao vou protestar sozinha: quem protesta sozinho é maluco… entao ficamos na mesma

  • Olha, deixei de usar o Metrô. Volto para a Tijuca de 229. Sds.

  • Olha que o crime praticado vai muito além do prejuízo ao usuário, pelo que sei quem determina válidade para moeda nacional é o Governo, mas parece que a empresa que já foi do Grupo do Daniel Dantas não só resolve suas coisas no Supremo como interfere até na validade da moeda nacional nos seus serviços! Ganharam mais 20 anos para nos explorar, e “explorar” nos vão, ah se vão!!!

  • Camila Braz

    Todo mundo tá reclamando do METRÔ, inclusive eu, que já levei 50 minutos de Vicente de Carvalho até Del Castilho, trajeto que, se o intervalo correto fosse cumprido seria de menos de 10 minutos… Acontece que não vejo nenhuma reclamação sobre os ONIBUS DA INTEGRAÇÃO DEL CASTILHO-BARRA!!!!
    E aquela linha é uma desordem total!!!
    Os fiscais (que ficam cansados de taaaaanto trabalhar, agora improvisaram um “banquinho” com restos de materias de obra do shopping) não fiscalizam absolutamente nada! Não controlam a quantidade de pessoas que podem entrar no ônibus, estes saindo abarrotados de gente, que já chega cansado e irritado ao trabalho logo no início do dia…
    Fora que nunca sabemos que horas cada ônibus sai; antes era intervalo de 8 minutos, agora é quando não cabe mais gente pra entrar…
    Aí, nós que já enfrentamos o metrô atrasado, lotado, sem ar condicionado, quando achamos que vamos relaxar no ônibus, vem mais atraso e lotação!!!!
    Assim não dá!!!
    Alguém tem que botar a boca no trombone sobre os ônibus da Integração Del Castilho-Barra!!!!!
    Basta de desorganização no trasporte público dessa cidade!!!!!!!!!

  • Não é justificando, mas acho estranho ninguém reclamar abertamente do cartão unitário da Supervia. Ele perde a validade em duas horas… E na compra para integração, perde a validade em 15 minutos…

    Eu tenho o pré-pago por causa dos descontos em teatro, mas concordo que deveria haver benefício [também] em transporte. Afinal, nem todos podem vir a usufruir desses benefícios. A Supervia tem preferido a compensação material, dando brindes para determinados valores de recarga (mas fazendo a troca somente no balcão da Central e eventualmente Madureira).

  • Flavio Sampaio

    Engraçado é como tanta gente reclama, e ainda assim o Cabral é reeleito, quase como numa aclamação…

  • Marcelo Souza de Carvalho Borges

    Acho um absurdo a perda da validade do bilhete integração em 15 minutos. Fui lesado e quando reclamei no SAC da empresa, informaram que centenas de pessoas também perderam, em vista que ” dormiu no ponto perdeu o trem ”

    Devido ao descaso, ingressei com ação judicial (Processo No 0172556-54.2010.8.19.0001). Tento mudar a política abusiva da empresa.

  • Marcelo Souza de Carvalho Borges

    Continuação em resumo! Ação julgada improcedente, fundamentando que a empresa tem liberalidade para fixar o prazo de vldade.do bilhete EM 2 ( DUAS) HORAS…. BLA BLA BLA…….Meu povo!! No dia 18/05/2010, após um dia de trabalho, em Nilópolis. Ao chegar ao guichê, às 18:03hs, foi informado pela funcionária do réu de nome Petras, que o Trem com destino a Central havia acabado de passar e o próximo Trem estava com previsão de chegada às 18:30hs. Comprei a passagem, fui fazer um lanche. Por volta das 18:20hs, me dirigi até a catraca eletrônica e inseri o cartão magnético QUE FOI RECUSADO. Ao reclamar fui informado do prazo de 15 MINUTOS. Comprei nova passagem. Ao chegar na Central, fiz reclamação escrita de nº 1520, atendente Martha Santos.

    Confesso que não é por R$ 2.50 o motivo da minha ação. Mas quando disseram que “centenas de pessoas foram lesadas já reclamaram” E nada. Por fim, eu tinha dinheiro; mas o porteiro, empregada doméstica, servente do TJRJ, faria falta.

  • Abila

    O metrô Rio tem dinheiro suficiente para comprar com tranquilidade o judiciário brasileiro. O governo já está comprado, ou seja, não haverá qq ameaça dali.

    Agora: imagine o quanto eles ganham com essa jogada? Isso é daqueles absurdos que, daqui a algumas décadas, serão lembrados como em fóruns de “como se esculhambava a população oficial e impunemente na época tal”.

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