O Metrô Rio, conhecido nos últimos anos por superlotação, péssimos serviços prestados aos clientes, falhas constantes e ate mesmo o fechamento de uma passarela por cima da Av. Presidente Vargas, recebeu da AGETRANSP autorização para reajustar a sua tarifa de acordo com IGP-M. Ou seja, autorizou reajuste de 11,5% o que vai elevar na prática a tarifa de 2,80 à 3,10. Teremos portanto o Metrô mais caro do Brasil, com uma malha Metroviária que é uma fração do Metrô de São Paulo, fazendo uma comparação com a maior cidade do pais. Não vou nem aqui explanar sobre os problemas do nosso metrô, todo mundo já sabe de cor. Capacidade pífia, projetos de expansão equivocados (Linha 1A), superlotação, desorganização, conforto zero, falhas nos ar condicionados, e a lista corre longa.
Vamos ver o que justificaria o aumento da tarifa. Aumento de custos. E sera que o aumento de custos existiu nesse período, e foi de 11,5%? O que quero levantar entre os leitores é a seguinte questão. Porque o preço do Metrô, ônibus, etc é indexado à um índice de inflação que não necessariamente reflete a inflação que de fato recai sobre os custos daquele serviço especifico.
O IGP-M é calculado baseado em 60% do IPA (Índice de Preço por Atacado), 30% do IPC (Índice de Preço ao Consumidor) e 10% do INCC (Índice Nacional de Custo de Construção). Ou seja, a alta do Arroz e Feijão influencia o preço do Bilhete do Metrô. Faz algum sentido isso?
Esse tipo de reajuste indexado esta por toda economia Brasileira e é ruim. pois não reflete de maneira correta a inflação dos custos que um serviço pode de fato ter tido. Vamos simplificar aqui somente para a prática de um exemplo. Vamos dizer que o Metrô Rio teve um aumento do Custo para prestar o seu serviço de 5% no total (Incluindo Mão de Obra, Energia, Manutenção, etc.), qual seria então a justificativa para aplicar o índice do IGP-M?
O reajuste do Metrô para 3,10 é portanto na minha opinião, alem de descabido do ponto moral (pois o serviço é cada vez pior), irracional pois é baseado em um índice que não reflete corretamente a real inflação de custos que impacta a prestação de tal serviço. Alem disso é mais um incentivo para que as pessoas continuem a usar o transporte individual. Bola fora em todos os aspectos.
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Também diz um post sobre isso no meu blog: http://claroquepoggi.blogspot.com/2011/02/piada-do-metro-rio.html Lá eu coloco um esquema de como poderia ser o metrô Rio no Centro da Cidade. Apenas uma idéia…
“Ou seja, a alta do Arroz e Feijão influencia o preço do Bilhete do Metrô. Faz algum sentido isso?”
Mais é claro, o pessoal come arroz e feijão. Da mesma forma que o preço de minério de ferro influencia no preço de aluguel do seu apartamento. Não esqueça que concreto leva ferro (e as pessoas que trabalhavam na obra comeram arroz e feijão).
“Alem disso é mais um incentivo para que as pessoas continuem a usar o transporte individual.”
Uma opção seria aumentar o preço do estacionamento com os mesmos 11.5% para que ficam no mesmo patamar.
Na minha opinião, a aplicação de ídices para aumentar os preços de produtos e serviços é altamente inflacional. Quando aumento o preço de minério de ferro, aumenta-se o preço dos carros, quando aumenta o preço de arroz e feijão, aument-se o preço de comida nos restaurantes. Não vejo por que o preço de minério de ferro influencia no preço do meu almoço, e não me diga que é porque os fogões do restaurante são feitos de aço.
Será que os famosos “novos trens” já estarão em circulação quando do aumento?
Isso é extremamente ruim para economia, pois retroalimenta a inflação. O metodo de reajuste precisa ser revisto para que isso não aconteça.
O interessante é que a influencia dos preços administrados nunca entra na discução nas eleições e tem um grande peso na inflação. De nada adianta o BC botar o pé no freio se o BNDES e os preços administrados (cuja responsabilidade é dada aos prefeitos, governadores ….) continuam em escalada.
Indexar a economia na década de 1960 com a ORTN levou a década perdida 2 décadas depois.Agora estamos novamente ameaçados.
O Professor André de Melo Modenesi (ie/UFRJ) publicou artigos sobre a influência dos preços administrados na inflação – http://www.ie.ufrj.br/…/os_precos_administrados%20_comprometem_crescimento.doc – esse eu achei com facilidade mas sei da publicação de alguns mais recentes sobre o mesmo tema.
Todo mundo adora ajustar tudo pelo IGP-M, que historicamente é um dos índices que mais oneram o consumidor. só na hora de reajustar os salários que entra o ipca. Se continuar assim o poder de compra vai cada vez mais pro espaço.
Esse diferencial de preços vai é parar no bolso do concessionario.. E o pior é que o aumento do preço do metro vai acabar retroalimentando a inflação…
O pior que essa onda de indexara economia causou uma grave crise no final da década de 80! Será que este será nosso caminho novamente??? Estamos repetindo os mesmos erros pós crise do petróleo que levaram nosso país a praticamente quebrar (na década perdida) e não há um especialista sério questionando isso na grande mídia… Sinceramente, espero não estar aqui para viver a década de 2021-2030…
[...] eventuais custos perdidos pelo consórcio Metrô Rio. O blogueiro Jan do Caos Carioca escreveu um artigo exclusivamente sobre isso. No 19º parágrafo, ainda vemos que no final de 2012 haverá uma [...]