A FÉ contra a RAZÃO

Tenho a percepção que o povo Brasileiro sempre gostou e acreditou muito na capacidade dos salvadores da pátria. Mais exatamente de um salvador da pátria. Uma figura que tem superpoderes para resolver todos os problemas nacionais. Para uns essa figura é Lula, Freixo, Tarcísio, para outros Bolsonaro, MBL, Dória. Cada um elege o seu salvador da pátria e parece seguir com fé as determinações que vêm de cima para baixo. Confiança absoluta e um compromisso de ser fiel à palavra dada.

No meio disso tudo a RAZÃO, a faculdade de raciocinar, apreender, compreender, ponderar e julgar de maneira estruturada, foi sendo colocada de lado. Cada vez mais pessoas se contentam em ser papagaios de algum discurso entoado pelo seu salvador da pátria, sem qualquer tipo de análise crítica ao conteúdo que é propagado. O contraditório não é mais motivo para reflexão e debate. E sim um motivo para ataques e desqualificações pessoais.

E essa postura popular cada vez mais comum abre avenidas para populistas de plantão que vendem um discurso simplista e de fácil digestão. Assuntos complexos são transformados em questões binárias. Esquerda vs. Direita. Polícia vs. Bandido. Os recentes embates (não debates) sobre questões como liberdade de expressão (caso dos Museus) e direitos e deveres da Polícia (Caso da Turista na Rocinha ou os traficantes executados em Costa Barros) mostram bem essa dinâmica.

2018 será um ano fértil para esses populistas de plantão. E nada indica que a população ira sair da sua fé preguiçosa e colocar neurônios para analisar as sérias questões que atingem nosso estado e país.