Transportes: Incompetência da gestão Crivella

Quando Crivella foi eleito eu tinha uma certeza. A de que teríamos um governo medíocre, que se elegeu em cima de mentiras insustentáveis. Passado o primeiro ano não somente o novo governo provou sua incompetência como foi além de qualquer expectativa negativa.
Um dos aspectos que mais sofreu retrocessos: Mobilidade Urbana. Já no final do governo anterior podia-se observar uma queda na qualidade do serviço de ônibus da cidade. Mas nada que se compare a 2017. A gestão Crivella mostrou sua total incompetência e incapacidade de lidar com o sistema de ônibus da cidade.

Sim, verdade seja dita, há graves problemas de falta de transparência, suspeitas de que a licitação foi dirigida, e manutenção de um sistema que sempre beneficiou a um grupo de  empresários do setor. Mas a abordagem amadora da atual gestão teve como efeito prático para a população uma piora galopante na qualidade do serviço oferecido. A estratégia da prefeitura é de enfrentamento e embate puro e simples, sem dialogo e negociação. Atrás de uma mesa em um escritório muito bem refrigerado a tarifa de ônibus foi congelada. Enquanto isso nas ruas da cidade sumiram os ônibus refrigerados, quando não sumiram linhas inteiras, e o passageiro ficou no aprazível clima de 40 graus esperando ônibus no ponto, ou no que só pode ser comparado a uma sauna ambulante quando ônibus aparece lotado e sem refrigeração.

E se só fosse isso estávamos cumprindo a promessa de um governo medíocre. Mas não parou por ai. O BRT foi abandonado. Ninguém paga tarifa, ninguém controla, ninguém faz manutenção, e não por coincidência o serviço minguou ou corre risco de extinção em algumas áreas da Zona oeste. Vans ilegais voltaram a tomar as ruas da cidade. A segregação de linhas em pontos BRS, que ajudou muito na fluidez do transito e velocidade do deslocamento, foi abolida (se não oficialmente pelo menos na prática).

A prefeitura diz que uma das conquistas é a redução das passagens, que hoje está em 3,40. A saber, primeiro o Prefeito não concedeu aumento contratual no começo do ano (e promete repetir a dose em 2018). Depois  ajustiça obrigou duas reduções pelo não cumprimento da climatização da frota (que diga-se, não estava prevista na licitação. Um erro enorme cometido pela gestão Paes, certamente não por falta de atenção e sim deliberadamente). Mas é realmente uma conquista poder pagar 60 centavos a menos, mas em troca não ter mais transporte com mínimo de qualidade? E olha que não tínhamos nenhum primor, mas os pequenos avanços de décadas estão sendo desfeitos. E como cereja do bolo, Crivella sancionou lei que obriga a volta dos trocadores, condenando o Carioca ao passado e a manutenção de postos de trabalho que oneram o sistema e não agregam nada que não possa ser resolvido com uso de tecnologia.

Há mais. Em Dezembro de 2017 a justiça concedeu ganho de causa às empresas, condenando o Município a pagar 180 milhões, acrescidos de correção monetária, como indenização às empresas de ônibus pelo atraso na concessão de reajuste contratual em 2013. Naquela época o reajuste foi postergado em diversos meses devido a pressão federal para segurar a inflação. Quem pode pagar o pato no final das contas é o contribuinte. E O MESMO risco está sendo criado pelo governo Crivella ao barrar autocraticamente os aumentos contratuais de 2017 e possivelmente de 2018.

E não, isso não é uma defesa das empresas de ônibus. Há muita incompetência e sem dúvida um histórico de interesses particulares às custas dos passageiros. A licitação de 2010 foi claramente dirigida para que as empresas existentes ganhassem a licitação.

O fato é que para o passageiro as ações do governo Crivella estão gerando mais malefícios que benefícios. Nosso sistema de mobilidade que é ruim ficou ainda pior.

Estamos chegando ao fim do primeiro ano de governo Crivella. Se continuar nesse ritmo a mobilidade carioca vai retroceder duas décadas em 4 anos de governo.