Turistas baleados são um tiro na economia

Dupla de turistas italianos entra inadvertidamente em uma favela no Rio de Janeiro. Um deles é baleado e morre. Um grupo de argentinas se perde na mesma favela, a motorista é baleada e morre. Uma família inglesa erra o caminho em Angra dos Reis e a mulher e baleada em frente ao seu marido e filhos, sobrevivendo por sorte. Quantas mais são as histórias de turistas baleados no Rio de Janeiro? E além de casos destes, quantos não são assaltados e agredidos enquanto visitam a (dita) Cidade Maravilhosa. E qual é a história que essas pessoas levam de volta para as suas casas?

Como se o sofrimento destas pessoas e dos familiares não fosse o bastante, há uma outra faceta destes tantos crimes. O impacto econômico sobre o estado do Rio de Janeiro.

Tenho a sorte de poder ter viajado um bocadinho nessas minhas três décadas. Europa, EUA e algumas partes da América do Sul. E uma coisa sempre me salta aos olhos quando volto ao Rio de Janeiro. Como exploramos mal o setor de turismo na nossa cidade e no nosso estado. O Rio de Janeiro tem menos turistas internacionais que Buenos Aires. Tem uma fração de turistas de qualquer cidade da Europa. E isso mesmo tendo um enorme, gigantesco, potencial. A cidade tem uma cultura rica e uma geografia única. Temos praia, cachoeira, floresta e metrópole, tudo em uma coisa só. Comida, musica, cultura. Não faltam oportunidades para montar negócios e vender o Rio de Janeiro para quem vier para cá com Dólares e Euros na mão.

Já sei, já sei, vai surgir ai quem diga que não podemos mercantilizar a cidade e acabar como Amsterdam e Barcelona em que os moradores “nativos” estão sendo expulsos pelos gringos. Muitos moradores de Santa Teresa certamente acham que a invasão de turistas é um problema, mesmo que a presença deles seja apenas uma fração mínima do que se encontra em qualquer cidade Europeia (e nem falo das grandes Paris e Londres).

Mas a questão é. Turismo é um setor econômico extremamente mal explorado em nosso Estado. Temos um potencial enorme que deixamos escapar. Por um lado somos na maior parte das vezes simplesmente incompetentes. Nossos taxistas não falam inglês. Nossos garçons não falam inglês. Nossos serviços são muitas vezes medíocres. E ainda por cima, apesar de todos esses problemas o Rio de Janeiro pode ser uma cidade caríssima para turistas.

E ai vêm a violência. E ela não é nova. Toda vez que estou fora do Brasil recebo as mesmas perguntas: “É Seguro?”. E a resposta sincera é que não. O Rio de Janeiro não é uma cidade segura. E certamente é por esse motivo que muitos turistas preferem ir à Colômbia e Argentina, ou tantos outros lugares de onde não se escuta com certa frequência que um turista foi baleado. O caso mais recente, da turista inglesa baleada em Angra dos Reis enquanto acompanhada de marido e dois filhos está estampados em todos os principais jornais Ingleses. Quantas pessoas, quantas famílias deixarão de vira ao Brasil depois disso?

Mais que um turista ferido ou morto cada evento desses significa a perda de milhares de reais de receitas que poderiam ser arrecadadas com turismo. Receita que gera emprego, que gera consumo, que gera arrecadação para investimentos em segurança, educação e saúde. Cada turistas assaltado, baleado e morto em nosso estado significa menos empregos, menos dinheiro e menos desenvolvimento. Cada caso destes condena o setor do turismo (que deveria ser talvez o principal setor econômico do estado, até mais que o petróleo) a um desempenho medíocre.