Segurança: Não falta dinheiro. Falta inteligência.

Uma matéria no O Globo mostra mais uma vez que nosso problema de segurança pública não é falta de polícia nem falta de dinheiro, e sim falta de inteligência. Falta de inteligência na gestão. Falta de inteligência nos investimentos. Falta de inteligência na operação.

De 2010 a 2018 a PM cresceu de 38mil para 44,3mil agentes (16%). E mesmo assim não se conseguiu sustentara a queda de letalidade violenta que houve entre 2008 e 2012. Mais que isso, a folha de pagamento da PM saiu de 2,8 bi em 2010 para 8,2 bi em 2017. Mesmo considerando a inflação do período (63% pelo IPCA de Jan/2010 a Dez/2017) isso significa um aumento real de 80% na folha salarial da PM. E mesmo considerando o aumento de efetivo temos um incremento real de 55% da massa salarial por agente da PM. Ou seja, temos mais policiais e gastamos mais dinheiro e o índices de violência não estão melhorando. Outro dado relevante. Gastamos por habitante 599 reais por ano em segurança. Nosso estado vizinho, São Paulo gasta 24% a menos (454 reais) e tem índices de violência MUITO menores que o Rio.

Tudo isso mostra que nosso maior problema é falta de GESTÃO. Gastamos mal e por gastarmos mal não vemos resultados positivos. A realidade Fluminense espelha o que há de pior no Brasil, e isso fica claro quando se olha mais a fundo para dentro da estrutura da Segurança Pública do Estado. Na recente intervenção na segurança do estado os interventores ficaram espantados com a remuneração dos altos cargos da estrutura da PM, com Coronéis ganhando perto do teto constitucional de 33mil reais por mês, e aproximadamente 2400 oficiais de alta patente recebem auxílio moradia.

Uma outra matéria, da Folha, mostra o desequilíbrio hierárquico. Há mais Sargentos do que Cabos na Polícia Militar Fluminense. E o topo da pirâmide é muito mais largo do que do nosso estado vizinho. Enquanto as 3 maiores patentes (Major, Tenente-Coronel e Coronel) em São Paulo representam menos de 1% do efetivo de oficiais no Rio de Janeiro essas mesmas patentes representam 2,8% do efetivo. É muito manda chuva sem sentido e que não contribui em nada para a resolução do problema de segurança.

Todos esses fatos corroboram a posição de que a intervenção federal na segurança pública não vai ter sucesso se não mudar a ESTRUTURA do nosso atual sistema. Mais do mesmo não vai levar a nenhuma melhora substancial e sustentável. Mais do mesmo vai ser um placebo com efeito pontual e passageiro. Mais do mesmo vai ser um caminhão de dinheiro gasto para a gente sair do outro lado no mesmo lugar em que estamos hoje.

A notícia de que o governo federal vai liberar mais de 1 bilhão para a intervenção federal do Rio não pode nem deve ser festejada. Se fosse 1 bilhão para transformar as forças de segurança do Estado seria uma coisa. Mas ao que tudo indica é 1 bilhão para fazer exatamente a mesma coisa que fazemos há décadas sem nenhum resultado sustentável.

Mais do mesmo é Mais do mesmo ERRO.